
A FIFA voltou a ocupar o centro das atenções após apresentar uma proposta que poderá transformar a forma como as suas principais competições são geridas. O projeto, liderado pelo presidente Gianni Infantino, prevê a criação de uma nova empresa responsável pela exploração comercial do Campeonato do Mundo e de outros torneios organizados pela entidade.
A iniciativa provocou uma forte reação no futebol internacional. Enquanto a FIFA defende que o plano permitirá aumentar os recursos destinados ao desenvolvimento da modalidade, várias organizações entendem que a proposta levanta dúvidas sobre transparência, governação e o futuro da competição mais importante do desporto.
O que está realmente em causa?
Ao contrário do que muitos títulos sugerem, a FIFA não pretende vender o Campeonato do Mundo em si. A proposta passa pela criação de uma empresa subsidiária que concentrará os direitos comerciais das principais competições da entidade.
A ideia é vender participações minoritárias dessa empresa a investidores privados, mantendo a FIFA como acionista maioritária e responsável pelas decisões desportivas e regulamentares. Segundo a organização, o objetivo é captar novos recursos financeiros sem perder o controlo sobre o futebol mundial.
Porque é que o plano gerou tanta controvérsia?
Apesar das garantias dadas pela FIFA, o anúncio foi recebido com grande desconfiança por diversas entidades do futebol.
A principal crítica é que a entrada de investidores privados poderá aumentar a influência de interesses comerciais sobre decisões relacionadas com o Mundial. Para muitos dirigentes, mesmo que o controlo permaneça oficialmente com a FIFA, a simples participação de investidores poderá alterar o rumo estratégico das competições.
Outro ponto contestado é a falta de debate prévio. Várias federações afirmam que tomaram conhecimento dos detalhes do projeto através da imprensa, o que aumentou o clima de tensão.
UEFA lidera a oposição
A UEFA foi uma das primeiras organizações a posicionar-se contra a proposta.
A entidade europeia considera que a governação do futebol não deve ser tratada como um ativo financeiro e criticou a ausência de transparência no processo. Outros representantes do futebol europeu também manifestaram preocupação, defendendo que decisões desta dimensão deveriam envolver um debate mais amplo entre todas as federações.
Nos últimos dias, surgiram ainda relatos de que algumas associações discutem formas de pressionar a FIFA caso o projeto avance.
A posição da FIFA
Por outro lado, a FIFA insiste que a proposta representa uma oportunidade para fortalecer financeiramente as suas federações-membro.
Segundo a entidade, os novos recursos poderão aumentar significativamente os investimentos destinados ao desenvolvimento do futebol em diferentes regiões do mundo. A organização reforça ainda que os investidores não terão poder sobre regras, calendário, formato das competições ou decisões desportivas.
Para Gianni Infantino, trata-se de uma modernização da estrutura comercial da FIFA, preparada para responder ao crescimento do futebol nos próximos anos.